1 – Metáfora
De acordo com Aristóteles, a metáfora é “capaz de transportar para uma coisa o nome de outra”. Em outras palavras, trata-se da transferência de um termo para um âmbito de significação que não é o seu.
Considere a frase metafórica “palavras são abelhas”. Há uma comparação subtendida que não utiliza o termo como. De qualquer forma, a carga de significado de “abelhas” é transferida para “palavras”.
É importante destacar que a metáfora tem caráter subjetivo e momentâneo.
Exemplo: O poema é uma bola de cristal. Se apenas enxergares nele teu nariz, não culpes o mágico. (Mário Quintana).
2 – Comparação
Tem função semelhante à metáfora, mas utiliza o conectivo como para ligar dois termos.
Exemplo: Meus sonhos são como poeira no vento.
3 – Catacrese
Quando a metáfora deixa de ser momentânea e se cristaliza, ela recebe o nome de catacrese. Essa figura é muito empregada na linguagem coloquial e geralmente se apodera de um substantivo que significa outra coisa.
Exemplo: O braço da poltrona está sujo e rasgado.
4 – Metonímia
Metonímia é o mesmo que transnominação. Ela propõe uma nova dimensão para uma palavra quanto ao seu significado, indo muito além do nome ou do significado cristalizado pelo dicionário. Enquanto a metáfora estabelece uma relação de subjetividade, a metonímia foca numa relação objetiva.
Exemplo: Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.
5 – Elipse
Elipse é uma palavra que deriva do grego élleipsis, que quer dizer supressão. Portanto, é a omissão de um termo da oração, que pode ser identificado facilmente a partir da análise do contexto. Na frase abaixo, a elipse ocorre quando o sujeito eu é omitido.
Exemplo: Levo uma pena leve de não ter sido bom.
6 – Zeugma
Nesse caso, um termo que já foi mencionado anteriormente é omitido. Veja no trecho abaixo que a palavra flauta sofre omissão.
Exemplo: Sopro a flauta encantada e não dá nenhum som.
7 – Pleonasmo
Essa figura de linguagem tem como principal característica a repetição de um termo ou de uma ideia. É um reforço que busca dar mais expressão à frase.
Exemplo: E rir meu riso e derramar meu pranto. (Vinícius de Moraes)
8 – Anáfora
Quando uma determinada palavra se repete uma vez ou mais na frase, temos uma anáfora. Veja a seguir os versos de Carlos Drummond Andrade.
Exemplo:
João que amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém
10 – Hipérbato
É a inversão da estrutura da frase, ou seja, a ordem direta deixa de existir. Essa figura é encontrada com frequência nas poesias, já que facilita as rimas.
Exemplo: A mocidade, dizem que não cria ferrugem. (Mario Quintana)
Na ordem direta, a oração acima ficaria assim: Dizem que a mocidade não cria ferrugem.
11 – Polissíndeto
Quando a frase repete muitas conjunções, ela utiliza o recurso estilístico de polissíndeto.
Exemplo: E o olhar estaria ansioso esperando
e a cabeça ao sabor da mágoa balançando
e o coração fugindo e o coração voltando […] (Vinícius de Moraes)
e a cabeça ao sabor da mágoa balançando
e o coração fugindo e o coração voltando […] (Vinícius de Moraes)
12 – Assíndeto
Quando conjunções são omitidas dentro da frase, temos uma situação de assíndeto. Essa figura geralmente é empregada para destacar uma sequência de verbos. Nos versos de Manuel Bandeira, temos a omissão da conjunção aditiva e:
Exemplo: […] Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas […].
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas […].
13 – Gradação
Expressa uma transformação gradual, de maneira crescente ou decrescente.
Exemplo: A moça trabalhou dias, semanas, meses, anos.
14 – Silepse
Nesse caso, a concordância é ditada pelo sentido e não pela forma gramatical. Há um compromisso com o sentido figurado e ideológico. Na oração abaixo, temos um exemplo de silepse de gênero:
Exemplo: Os homens da armada notaram que era gente de cor parda.
15 – Antítese
Ao evidenciar a oposição entre duas palavras ou ideias, temos uma antítese.
Exemplo: Sei o que você está sentindo por dentro e por fora.

16 – Paradoxo
O paradoxo se diferencia da antítese porque transmite uma ideia de contradição, não apenas de contrastes.
Exemplo: Teu mesmo amor me mata e me dá vida. (Camões).
17 – Eufemismo
Figura procura dizer algo de forma mais agradável, ou seja, aliviar uma expressão muitas vezes pesada. No verso a seguir, Renato Russo tentou suavizar a notícia de que o jovem morreu:
Exemplo: João Roberto não está mais entre nós.
18 – Hipérbole
O objetivo dessa figura é usar o exagero para destacar uma expressão ou ideia.
Exemplo: Maria está morrendo de calor na praia.
19 – Ironia
Quando você diz algo, mas na verdade está querendo dizer o contrário, está colocando em prática a ironia.
Exemplo: José é tão esperto que trancou o carro com a chave dentro.
20 – Prosopopeia
Tem o propósito de personificar seres inanimados, dando características humanas a objetos ou animais.
Exemplo: Chora a viola trazendo a saudade de casa.
21 – Onomatopeia
Essa figura incorpora a carga de significado da sonoridade, ao transformar um determinado som em palavra.
Exemplo: Splish splash / Fez o beijo que eu dei / Nela dentro do cinema (Sandy e Junior)
22 – Aliteração
Quando a frase apresenta uma sequência de letras semelhantes, com repetição de consoantes para criar um som, temos um caso de aliteração.
Exemplo: Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas […] (João Cruz e Sousa)
23 – Assonância
Esse recurso se parece com a aliteração, exceto pelo fato de que é focado em vocais tônicas. Portanto consiste na repetição de sons vocálicos.
Exemplo: […] Minha foz do Iguaçu/ Pólo sul, meu azul […]. (Djavan)
24 – Eco
É a repetição de um determinado som no final das palavras.
Exemplo:
Que falta nesta cidade? ……….. Verdade.
Que mais por sua desonra? ……….. Honra.
Falta mais que se lhe ponha? ……….. Vergonha […] (Gregório de Matos)
25 – Paronomásia
Esse recurso busca aproximar palavras com sons semelhantes, mas com significados diferentes.
Exemplo: Quem casa, quer casa.
26 – Sinestesia
Outra figura de linguagem muito presente na escrita é a sinestesia, que procura misturar as sensações dos sentidos (olfato, tato, paladar, audição e visão). Os escritores do Simbolismo utilizam muito esse recurso.
Exemplo: As falas sentidas, que os olhos falavam […]” (Casimiro de Abreu)

Sem comentários:
Enviar um comentário