COLÉGIO ESTADUAL
ELPÍDIO FERREIRA PAES
ATIVIDADE
DE EDUCAÇÃO A DISTANCIA (Período de 06 de abril a 30 de abril de 2020)
Disciplina(s):
Projeto de Vida Ano(s)
de Ensino: 1°
Turma(s):
211/212/213
Professor(a): Fernanda Borba
Retornar
a atividade pelo e-mail: fedeborba@gmail.com ou
entregar no retorno das aulas, lembrando que as tarefas, referem-se ao período
de cada semana, e será computado posteriormente o valor avaliativo.
Tarefa
1: Como eu me vejo
Esta atividade tem por objetivo trabalhar a
formação da identidade, pois requer um processo de reflexão e observação simultânea,
um processo que ocorre em todos os níveis de funcionamento mental e pelo qual o
indivíduo se julga à luz daquilo que percebe ser a forma como os outros o
julgam, em comparação com eles próprios e com uma tipologia que é significativa
para eles. Ao mesmo tempo, ele julga a maneira como os outros o julgam, de
acordo com o modo como ele se vê, em comparação com os demais e com os tipos
que se tornaram importantes para ele.
1)
Para desenvolver esta atividade e necessário a
história da vida de uma pessoa (chamamos de Biografia), palavra tem origem
grega bios,
que significa “vida”, e graphein, que significa “escrever”. Sabendo, então, que uma biografia é a
descrição dos fatos particulares da vida de uma pessoa, incluindo sua
trajetória, escreva a sua autobiografia, sem se identificar, incluindo as
seguintes informações:
a) Data de nascimento:
b) Local onde nasceu e vive atualmente:
c) Onde estudou ou estuda:
d) Algumas habilidades específicas:
e) Um pensamento em que realmente acredite:
f) Algo sobre a sua família:
g) Com uma palavra o que quer ser.
Tarefa
2: Que lugares eu ocupo?
A adolescência é a fase mais conturbada da vida
dos seres humanos por ser o período de transição entre a infância e a idade
adulta. Nessa fase ainda imperam atitudes de uma criança, mas, ao mesmo tempo,
é esperada do adolescente uma postura adulta, ou seja, de uma fase ainda por
vir. Nessa atividade, os estudantes refletirão sobre suas funções em diversos
grupos sociais como a família, a escola, entre outros. Haja vista que:
“Nos dias atuais, a família e a escola constituem
os dois espaços principais de socialização das novas gerações. É sobretudo por
meio dessas duas instituições que os jovens de hoje constroem sua identidade,
formam seus valores e preparam-se para a vida adulta, em particular a vida
profissional”.
Para
desenvolver esta atividade se faz necessário uma reflexão
acerca dos diversos papéis sociais desenvolvidos; despertando a necessidade de
atuação nos diversos espaços, Conhecer a origem da necessidade da relação entre
os seres humanos; e entender a
importância da família e da escola para vida em sociedade.
2)
Escreva em poucas palavras qual o seu papel na
sua família, na escola e na sociedade:
Referencias
ARIÉS, Philippe. História Social da criança e da família –
2ª Ed. Rio de Janeiro. RJ. Zahar, 1981.
SARRAMONA, Jaume. Educação
na Família e na escola: o que é, como se faz. São Paulo:
Editora Loyola, 2002.
Tarefa 3: De onde eu venho?
A história pessoal deve ser um componente
importante do Projeto de Vida. Antes mesmo de os estudantes pensarem para onde
eles querem ir e o que eles querem ser, é importante que todos saibam de onde
vêm, o que gostariam de superar ou criar para o futuro. A sua casa, seus pais,
sua família e sua vida cotidiana, por meio de uma rede de relações sociais e
afetivas, integram o primeiro momento de conhecimento que crianças e
adolescentes têm sobre o mundo. Pois, é no processo de relações diversificadas
que o estudante interioriza valores e constrói formas próprias de perceber e
estar no mundo, se constituindo enquanto sujeito.
a) Refletir sobre a influência da herança familiar na formação da
identidade e do próprio futuro, ler a
crônica “Pertencer” de Clarice Lispector, lembrar algumas histórias e
expectativas da família que antecederam ao nascimento de cada um, e conhecer e
entender a influência da família na própria formação.
b) Clarice sente-se deserdada da vida por ela não ter curado sua mãe ao
nascer, por ter “falhado” nessa missão e acha que traiu a grande esperança dos
pais:
c) Para ela pertencer é viver. Significa “pertencer a algo ou a alguém. É
poder colocar-se no mundo e significar a própria existência. É poder dar o que
de melhor tem dentro de si aquilo a que pertence.
d) A marca a que Clarice se refere é aquela que ela teria se, ao nascer,
tivesse curado sua mãe. Então, sim: ela teria pertencido a seu pai e a sua mãe.
e) Resposta de cunho pessoal. Espera-se que os estudantes comentem a
história de vida sem receios e com sinceridade.
f) Resposta de cunho pessoal. Verifique se as
expectativas geradas pelos pais influenciam os estudantes de forma negativa,
comprometendo sua autoestima.
Texto:
Pertencer
Clarice
Lispector
Um
amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a
criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho
certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por
motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não
pertencia a nada e a ninguém.
Nasci
de graça. Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me
acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se
contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente
porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei
bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre.
Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que
isso. Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não
sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não
pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se
meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de
clubes ou de associações?
Porque
não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por
exemplo
que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu
pertenço.
Mesmo
minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se
tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel
enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o!
Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção,
evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus
sentimentos.
Pertencer
não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte.
Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força -
eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa
ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em
mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos
que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas:
nascida.
No
entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já
estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter
um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com
amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de
culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem
comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais
me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas
eu, eu não me perdoo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu
nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha
mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer
porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia
ser conhecido.
A
vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do
que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.
Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego o último gole
de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
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