terça-feira, 14 de abril de 2020

Atividade Ead Projeto de Vida 1º Anos, turmas: 211/212/213


COLÉGIO ESTADUAL ELPÍDIO FERREIRA PAES
ATIVIDADE DE EDUCAÇÃO A DISTANCIA (Período de 06 de abril a 30 de abril de 2020)
Disciplina(s): Projeto de Vida                                                                                       Ano(s) de Ensino:  
Turma(s): 211/212/213                                                                                    Professor(a): Fernanda Borba
Retornar a atividade pelo e-mail: fedeborba@gmail.com ou entregar no retorno das aulas, lembrando que as tarefas, referem-se ao período de cada semana, e será computado posteriormente o valor avaliativo.

Tarefa 1:  Como eu me vejo
Esta atividade tem por objetivo trabalhar a formação da identidade, pois requer um processo de reflexão e observação simultânea, um processo que ocorre em todos os níveis de funcionamento mental e pelo qual o indivíduo se julga à luz daquilo que percebe ser a forma como os outros o julgam, em comparação com eles próprios e com uma tipologia que é significativa para eles. Ao mesmo tempo, ele julga a maneira como os outros o julgam, de acordo com o modo como ele se vê, em comparação com os demais e com os tipos que se tornaram importantes para ele.

1)         Para desenvolver esta atividade e necessário a história da vida de uma pessoa (chamamos de Biografia), palavra tem origem grega bios, que significa “vida”, e graphein, que significa “escrever”. Sabendo, então, que uma biografia é a descrição dos fatos particulares da vida de uma pessoa, incluindo sua trajetória, escreva a sua autobiografia, sem se identificar, incluindo as seguintes informações:

a) Data de nascimento:
b) Local onde nasceu e vive atualmente:
c) Onde estudou ou estuda:
d) Algumas habilidades específicas:
e) Um pensamento em que realmente acredite:
f) Algo sobre a sua família:
g) Com uma palavra o que quer ser.



Tarefa 2: Que lugares eu ocupo?

A adolescência é a fase mais conturbada da vida dos seres humanos por ser o período de transição entre a infância e a idade adulta. Nessa fase ainda imperam atitudes de uma criança, mas, ao mesmo tempo, é esperada do adolescente uma postura adulta, ou seja, de uma fase ainda por vir. Nessa atividade, os estudantes refletirão sobre suas funções em diversos grupos sociais como a família, a escola, entre outros. Haja vista que:
“Nos dias atuais, a família e a escola constituem os dois espaços principais de socialização das novas gerações. É sobretudo por meio dessas duas instituições que os jovens de hoje constroem sua identidade, formam seus valores e preparam-se para a vida adulta, em particular a vida profissional”.
Para desenvolver esta atividade se faz necessário uma reflexão acerca dos diversos papéis sociais desenvolvidos; despertando a necessidade de atuação nos diversos espaços, Conhecer a origem da necessidade da relação entre os seres humanos; e entender a importância da família e da escola para vida em sociedade.

2)         Escreva em poucas palavras qual o seu papel na sua família, na escola e na sociedade:
Referencias

ARIÉS, Philippe. História Social da criança e da família – 2ª Ed. Rio de Janeiro. RJ. Zahar, 1981.
SARRAMONA, Jaume. Educação na Família e na escola: o que é, como se faz. São Paulo: Editora Loyola, 2002.


Tarefa 3: De onde eu venho?

A história pessoal deve ser um componente importante do Projeto de Vida. Antes mesmo de os estudantes pensarem para onde eles querem ir e o que eles querem ser, é importante que todos saibam de onde vêm, o que gostariam de superar ou criar para o futuro. A sua casa, seus pais, sua família e sua vida cotidiana, por meio de uma rede de relações sociais e afetivas, integram o primeiro momento de conhecimento que crianças e adolescentes têm sobre o mundo. Pois, é no processo de relações diversificadas que o estudante interioriza valores e constrói formas próprias de perceber e estar no mundo, se constituindo enquanto sujeito.


a)    Refletir sobre a influência da herança familiar na formação da identidade e do próprio futuro, ler a crônica “Pertencer” de Clarice Lispector, lembrar algumas histórias e expectativas da família que antecederam ao nascimento de cada um, e conhecer e entender a influência da família na própria formação.

b)    Clarice sente-se deserdada da vida por ela não ter curado sua mãe ao nascer, por ter “falhado” nessa missão e acha que traiu a grande esperança dos pais:

c)    Para ela pertencer é viver. Significa “pertencer a algo ou a alguém. É poder colocar-se no mundo e significar a própria existência. É poder dar o que de melhor tem dentro de si aquilo a que pertence.

d)    A marca a que Clarice se refere é aquela que ela teria se, ao nascer, tivesse curado sua mãe. Então, sim: ela teria pertencido a seu pai e a sua mãe.

e)    Resposta de cunho pessoal. Espera-se que os estudantes comentem a história de vida sem receios e com sinceridade.

f) Resposta de cunho pessoal. Verifique se as expectativas geradas pelos pais influenciam os estudantes de forma negativa, comprometendo sua autoestima.

















Texto: Pertencer

Clarice Lispector
Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém.
Nasci de graça. Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações?
Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por
exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço.
Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e, no entanto, premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas eu, eu não me perdoo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego o último gole de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!



Sem comentários:

Enviar um comentário